Hidroquinona – heroína ou vilã?

Published by Fabio Francesconi on

Hidroquinona

Na dermatologia, a hidroquinona é utilizada como um agente despigmentante, ou seja para atingir um efeito clareador de manchas.

Para muitos médicos dermatologistas a hidroquinona é considerada como a primeira opção no tratamento do melasma. Para outros, porém, é considerada uma medicação perigosa, que deve ser utilizada com muita precaução, em casos específicos, dentro de uma estratégia terapêutica muito clara e específica.

O que é a Hidroquinona?

A hidroquinona é uma substância química chamada de dihidroxibenzeno, um composto aromático orgânico, derivado do benzeno pertencente a família dos fenóis.

O nome “hydroquinone” foi criado por Friedrich Wöhler em 1843 que teve seu uso industrial precedendo ao da sua utilização na dermatologia como um agente clareador.

Como age a Hidroquinona?

Assim como outros fenóis, a hidroquinona é reativa contra os grupos O-H e participa de dois tipos principais de reação química:

  1. Redox – A hidroquinona sofre oxidação mesmo em condições leves para formar benzoquinona, um processo que é reversível.
  1. Aminação – Uma reação importante é a conversão de hidroquinona em derivados mono ou diamino.

Como a Hidroquinona clareia a pele?

A hidroquinona atua de forma ativa para diminuir a produção de melanina pelo melanócito por mecanismo de degradação. Causa auto-oxidação da melanina, da tirosinase (enzima fundamental para a produção de melanina) e de fenóis-oxidases em espécies de radiais livres de oxigênio, de semi-quinonas e quinonas.

Em conjunto, estas substâncias impedem a formação de nova melanina.
Independente da filosofia do Dermatologista a hidroquinona é muito utilizada mundialmente e também no Brasil. É usada de muitas formas e na grande maioria das vezes em combinação com outros compostos para melhorar a capacidade clareadora do creme, para diminuir a irritação causada pelo produto ou para melhorar a proteção contra a exposição solar.

Por que a minha pele se irrita com a Hidroquinona?

Um dos grandes problemas da hidroquinona é a sua alta capacidade de causar dermatite de contato por irritante primário ou dermatite de contato alérgica. Diferenciar estas duas condições dermatológicas não é o objetivo do texto, mas sim alertar para o risco da pele ficar vermelha, irritada, com ardência ou vontade de coçar.

Quais são os riscos do uso crônico da Hidroquinona?

A irritação da pele nós já discutimos e pode ser causada por diferentes tipos de alergia.

O grande problema é a segurança a longo prazo, pois a hidroquinona pode causar duas complicações irreversíveis na pele:

  1. Ocronose exógena – é uma pigmentação irreversível da pele causada por um depósito de uma substância de cor azul-acinzentada;
  2. Leucodermia em confetti – é a formação de pontos brancos, da cor do vitiligo que também não tem tratamento eficaz.

Os riscos são tão reais, que em alguns países como o Japão e na África do Sul, o uso da hidroquinona é proibido ou restrito.

Mais informações podemos ler neste artigo. E acreditem que a semelhança de títulos foi pura coincidência!!! 

Hidroquinona para quem usa

  • Se a pele ficar vermelha pare de usar
  • Se o creme escurecer não use, não vai funcionar
  • Nunca usar por mais de 08 semanas consecutivas
  • Parar se surgir novas manchas claras ou escuras
  • Nunca use sem orientação do seu dermatologista

Fabio Francesconi

Médico dermatologista e professor que tem como missão divulgar o conhecimento médico para empoderar alunos e pacientes. Mais do que tratar doenças é cuidar para nos sentirmos bem.

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